Intolerâncias merecem mais atenção

Imagem com variedade de alimentos ricos em lactose, incluindo leite e pão, dispostos sobre uma taboa de madeira.

Intolerâncias merecem mais atenção

Distensão abdominal, flatulências ou diarreia alternada com episódios de constipação intestinal são alguns dos sintomas de quem convive com a intolerância alimentar. A condição é caracterizada pela manifestação de sintomas digestivos que são atribuídos aos alimentos pelos pacientes, ou pela ação nociva de certos componentes da dieta à integridade do revestimento do intestino ou ao seu funcionamento.

Diferentemente da alergia alimentar, em que ocorre uma resposta imediata do sistema imunológico, na intolerância há uma reação que pode ser intensa desencadeando sintomas no sistema gastrointestinal. Com sinais que variam de acordo com cada organismo, as intolerâncias à lactose e ao glúten (doença celíaca) são as mais prevalentes e merecem maior atenção. Um simples copo de leite ou iogurte pode provocar sintomas em pessoas mais intolerantes à lactose, condição identificada pela deficiência na produção da lactase, enzima que quebra e digere a lactose em dois monossacarídeos: a glicose e a galactose. “Quando há ausência da lactase, a lactose se torna fonte de energia para microrganismos do cólon, é fermentada e cria desconforto intestinal”, descreve a professora adjunta de Endocrinologia e Metabologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Célia Regina Nogueira.

A intolerância pode ser classificada em congênita ou genética – tipo mais comum desenvolvido na infância; e secundária, devido à perda transitória da lactase decorrente de lesões causadas por alguma doença, que volta a ser produzida assim que o intestino se recupera. Para o professor Carlos Fernando Francisconi, titular do Departamento de Medicina Interna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é preciso tomar cuidado com diagnósticos errados, que ocorrem quando o paciente aponta sintomas nem sempre associados à intolerância e que coincidem com manifestações funcionais do aparelho digestivo. “A intolerância à lactose é secundária a um fator genético que se expressa precocemente e, portanto, não é uma condição que se manifeste na fase adulta”, ensina. O especialista recomenda prudência na realização de exames laboratoriais que avaliem a deficiência da lactase. Além do teste de tolerância oral à lactose (mais acessível), existe a alternativa de teste genético, coletado em material biológico como sangue e saliva. Também pode ser realizado, em alguns centros, o teste de hidrogênio expirado, padrão ouro de diagnóstico não invasivo e de grande sensibilidade, que avalia precisamente a causa dos sintomas.

A intolerância à lactose é uma carência do organismo que pode ser controlada com dieta, garantindo uma vida saudável e sem riscos à saúde mesmo com a ingestão de leite e derivados. “Não é preciso eliminar o consumo desses alimentos. O controle da dieta depende dos limites que cada um suporta, sem que sintomas adversos se manifestem”, orienta a gastroenterologista Thaisa de Moraes Ribeiro Espírito Santo, do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (HUCAM-UFES). Desta forma, é possível manter a oferta de cálcio, fundamental para a massa óssea e para a manutenção de várias funções do organismo. Além disso, suplementos com lactase e produtos sem ou com baixo teor de lactose podem auxiliar no aporte de cálcio, quando a ingestão de leite for insuficiente.

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